terça-feira, 26 de abril de 2011

A MAIOR FLOR DO MUNDO





Respondendo ao desafio lançado, alguns alunos mostraram-se óptimos contadores de histórias.
Eis algumas das suas narrativas:




A maior flor do mundo
       Era uma vez um menino que costumava ir com o pai ao campo. Lá no campo havia um velhinho que estudava a Natureza.
       Um dia, enquanto o pai trabalhava, o menino encontrou um insecto, apanhou-o e pô-lo dentro de uma caixa. Enquanto isso, o velhinho observava-o.
       Quando chegou a casa, abriu a caixa e o insecto fugiu. Então, sem os pais verem, ele saiu de casa e seguiu o insecto. Caminhou muito, até que chegou a um sítio, onde havia um rio. Já com medo de se perder, atravessou o rio por um tronco.
       Continuou a seguir o insecto e reparou como a natureza era linda, até que chegou a um lugar que tinha uma flor que estava quase a morrer. Ficou com tanta pena que correu várias vezes para o rio, para ir buscar água.
       Depois de ter regado muito a flor, ela ficou gigante. Já era tarde e o rapaz acabou por adormecer no chão, e a flor, como agradecimento ao menino, deixou cair uma pétala enorme por cima dele para servir de cobertor.
       Quando os pais deram pela sua falta, procuraram-no e encontraram-no a dormir no chão, junto da flor.
       O rapaz acordou e deu-lhes um grande abraço. Então, os pais repararam na flor e ficaram muito surpreendidos.
       De seguida, todas as pessoas, incluindo o velhinho, contemplaram aquela flor e ficaram tão admiradas como os pais do rapaz!!!
Leonor Ventura, 5º E
  A Maior Flor do Mundo

Há algum tempo atrás, um rapazinho e a sua família tinham acabado de mudar para a sua nova casa que ficava numa pequena vila, junto à qual passava um riacho e havia uma floresta.

Num fim-de-semana, os pais, que estavam no jardim a preparar um churrasco, notaram que fazia falta a sombra de uma árvore. Depois do almoço, enquanto a mãe do rapaz arrumava a cozinha, ele e o seu pai foram de carro até à floresta à procura de uma árvore para plantar no jardim. Andaram algum tempo até que encontraram a árvore ideal. Ao lado da árvore que o pai arrancou, existia uma pequena flor muito viçosa. Enquanto isso, o pequeno rapaz estava entretido a apanhar um pequeno escaravelho que meteu dentro de uma caixa de sapatos, levando-o consigo.

            Ao chegar a casa, foram directos ao jardim e o pequeno rapaz, entusiasmado, queria mostrar o escaravelho aos pais, mas eles estavam distraídos a decidir onde iam plantar a árvore e não lhe prestaram atenção. O pequeno rapaz, entristecido, foi para um canto do jardim brincar com o seu novo amiguinho.

            - Bem, vamos ver como tu estás! – exclamou o rapaz.

            Abriu a caixa e, de repente, o pequeno animal desatou a voar em direcção à floresta. O rapaz ficou triste e foi atrás dele, atravessou o pequeno rio através de um tronco de uma árvore e continuou a segui-lo pela floresta dentro. Depois de ter andado algum tempo, chegou ao local onde tinha estado com o seu pai e reparou que a pequena flor não estava alegre e viçosa, mas sim triste e murcha.

- Olá, pequena flor, estás triste por estar sozinha? - perguntou o rapaz, reparando que a terra à sua volta estava seca. 
  - Não te preocupes, vou buscar água para te refrescar – mal acabou de dizer isto desatou a correr em direcção ao rio e, sem saber como levar a água até à flor, ficou a pensar e teve uma ideia:

- Já sei! Com as minhas mãos vou formar uma concha para levar a água.

            E assim o rapaz transportou água até à flor, repetidamente, enquanto isso, ela ia crescendo, crescendo, crescendo até tocar nas nuvens. Quando o rapaz viu que a flor já se encontrava feliz e tinha crescido imenso, sentou-se junto dela para lhe fazer companhia e acabou por adormecer. Ao ver que o menino estava a dormir, a flor soltou uma das suas enormes pétalas para o cobrir.

            Entretanto, em casa, os pais do rapaz repararam na ausência dele. Ficaram em pânico, e correram à sua procura. Ao fim de algum tempo, encontraram-no junto à flor.

            - Acorda, António! – disse-lhe a mãe .

            - Mas que flor gigante! – exclamou o pai muito admirado.

            - É a maior flor do mundo, pai! E é minha amiga! – respondeu o rapaz ao acordar.

            Voltaram para casa e, desde esse dia, o rapazinho ia sempre visitar a sua amiga flor e, quando chegava o fim-de-semana, a sua vila era invadida por multidões, curiosas por conhecer a maior flor do mundo.

Jéssica Sousa R. Rodrigues, 5ºD
 A Maior Flor do Mundo
Um dia, no campo, o Luís foi com o pai cortar uma árvore.
Ao sair do carro, Luís reparou num escaravelho, apanhou-o e meteu-o numa caixa de cartão.
O pai do Luís guardou a árvore na mala do carro e arrancaram em direcção à vila.
Ao chegar a casa, Luís lembrou-se de abrir a caixa para ver como estava o escaravelho.
Ao abri-la, o insecto voou, em direcção a uma zona de perigosas obras.
Sem os pais notarem, Luís foi atrás do insecto.
Depois de caminhar um pouco, encontrou-o junto a um riacho.
Mal o viu, o insecto fugiu, sobrevoando o riacho.
Luís atravessou o riacho e deparou-se com uma floresta, com um verde muito intenso. Todas as árvores eram grandes, as flores aos milhares e as borboletas viviam saltando de flor em flor.
Uma delas conduziu Luís até uma zona montanhosa, onde não havia vida por estar tudo muito seco.
Luís subiu a uma das colinas e deparou-se com a flor que estava junto ao buraco, deixado pelo pai do Luís, quando arrancara a árvore.
Essa flor estava murcha por falta de água e devido ao sol intenso.
A primeira coisa que se lembrou de fazer foi ir buscar água ao riacho e regar a flor, consecutivamente.
De um momento para o outro, a flor ganhou cor e cresceu muito, tornando-se «A Maior Flor do Mundo».
Cansado do esforço para salvar a flor, Luís adormeceu por baixo desta, que deixou cair uma pétala a fim de o agasalhar.
Ao fim do dia, os pais deram por falta do Luís. Seguindo os rastos deixados pelo filho, foram encontrá-lo a dormir por baixo da flor.
No final, todas as pessoas da vila se juntaram para observar a maior flor do mundo, e Luís despediu-se do insecto.
E todos aprenderam uma lição: devemos respeitar a Natureza!  
Diogo Moreira, 7ºB
A Maior Flor do Mundo
Certo dia, durante a Primavera, um rapaz e o seu pai foram dar um passeio e arrancaram uma pequena árvore. O rapaz encontrou também um escaravelho que estava junto de uma flor muito bonita.
Quando chegaram a casa, os seus pais foram plantar de novo a árvore, mas o pobre escaravelho, outrora preso numa caixa, conseguiu fugir para onde o rapaz estava proibido de entrar.
Era uma zona em obras, uma zona industrial, chamemos-lhe a «zona negra». O menino não teve medo, saltou o muro e foi atrás do seu insecto. Deparou-se com um rio que o separava de uma abundante floresta, mas, novamente, não teve receio. Correu, andou e saltou, até chegar a uma outra zona, era árida, seca e desidratada. No cimo de uma colina, estava, quase murcha, a flor, antes protegida pela sombra da pequena árvore. O rapaz, preocupado, correu uma e outra vez até ao rio, aflito por fazer chegar água àquela frágil flor. Conseguiu! Ela cresceu, cresceu e cresceu, tornando-se assim a maior e mais bonita flor do mundo! O menino adormeceu, por fim, acariciado por uma enorme pétala que o cobriu. Mais tarde, foi encontrado pelos pais.
Maria Castro, 7ºB

terça-feira, 1 de março de 2011

Concurso Literário: Juntos, escrevemos sobre valores

               Ao longo do mês de Janeiro, os alunos do Ensino Básico foram convidados a participar no Concurso Literário promovido pelo Departamento Curricular de Língua Românicas e subordinado ao tema: «Juntos, crescemos em valores».



            Após análise de todos os textos entregues, foram apurados os seguintes vencedores:
            a)  categoria 2º ciclo
-  Maria Cardia, 6ºA, «Estrela da Paz»;
b) categoria 3º ciclo
- Francisca Ferreira, 8ºA, «Uma viagem ao mundo dos gnomos»;
- João Ramos, 8º A, «A verdadeira Liberdade»;
- Beatriz Carneiro, 9ºF, «O meu tesouro»;
- Luís Sousa, 9ºF, «Coragem». 



A verdadeira Liberdade


Esta é a história da Senhora Liberdade que todos os dias se gabava de ser livre em todos os sentidos.

Num dia como qualquer outro, na Cidade dos Valores, a Liberdade passeava calmamente pelo parque. Deveres? Não tinha. Direitos? Todos e mais alguns. Era com esta convicção que ela actuava. Claro que prejudicava os outros, mas como ela dizia: “Eu sou livre de fazer tudo o que me apetece”. E foi devido a este pensamento que, neste dia, a Liberdade se apresentou, de novo, ao Sr. Justiça, o juiz da cidade.
Mal entrou no Tribunal, o Sr. Justiça disse, sem surpresa:
– Outra vez por cá, Sr.ª Liberdade? Começa a tornar-se numa presença assídua deste tribunal. Então, o que fez desta vez?
– Nada, Sr. Justiça. Não fiz rigorosamente nada. Apenas agredi a Sr.ª Alegria, uma vez que esta não parava de rir, quando eu precisava de descansar de um longo dia em que usufrui plenamente dos meus direitos. Nada de especial como vê – respondeu a Liberdade com naturalidade.
– Nada de especial??? Por acaso pensou bem no que estava a fazer? Como acha que a pobre Sr.ª Alegria se sentiu quando a agrediu? – perguntou o juiz já um pouco exaltado.
– Eu penso que ela deve ter compreendido que eu merecia aquele momento Zen e, além disso, sou livre não sou?
– Sim, a senhora é livre. Mas atenção: existem limites à sua liberdade!
– Limites?! – exclamou a Liberdade – Não conheço nenhum! A não ser os que eu própria imponho.
E mal a Liberdade acabou de proferir estas palavras, ouviu-se um riso estridente do Sr. Egoísmo, que batia palmas e repetia vezes sem conta “Bem dito…ah…ah…ah…é isso mesmo!!!”, o que contrastava com as expressões de indignação dos restantes valores presentes, que reprovavam  tamanha ousadia.
Então, o Sr. Justiça bateu o seu martelo, tentando pôr ordem na sala. E disse:
– E a senhora não pensa nos outros: na Solidariedade, no Respeito, na Responsabilidade, na Amizade…?
– Pensar nos meus colegas…hmmmm…nunca senti essa necessidade – salientou a Liberdade. 
– Bem, penso que a senhora não tem a noção do que está a dizer. Talvez a intervenção dos nossos amigos a ajude a chegar à razão. Comecemos pelo Sr. Respeito. Faça o favor de se pronunciar.
– Senhores, a falta de consideração pelos outros, demonstrada pela Liberdade, é condenável. Só existe liberdade, respeitando o próximo, não é, Sr.ª Responsabilidade? 
– Claro que sim. A Sr.ª Liberdade deve tomar consciência que não agiu de forma responsável, uma vez que não existe liberdade sem responsabilidade. Não reparou que prejudicou a Sr.ª Alegria, impedindo-a de expressar livremente o seu contentamento?
Então, levantando-se, a Sr.ª Alegria tomou a palavra:
– Quando sorri, foi com a melhor das intenções. Só queria conquistar a amizade da Sr.ª Liberdade. Foi pena que ela tenha interpretado mal a mensagem. Nós devemos muito à Amizade e quem melhor para falar disto do que a própria?
E foi então que a Sr.ª Amizade começou por dizer:
– Nós não somos nada sem os amigos. São eles que nos ajudam quando precisamos. Eles estão sempre presentes na nossa vida. Os amigos são aqueles em quem podemos confiar: são leais, fiéis, honestos, solidários…
O Sr. Justiça concordou e virando-se para a Sr.ª Liberdade disse:
– Tem alguma coisa a dizer, Sr.ª Liberdade?
– Claro, Sr. Justiça. Finalmente percebi que todos têm razão. Eu estava errada. Só pensava em mim e na satisfação dos meus desejos, mas prometo que, a partir de agora, juntar-me-ei aos outros, se me aceitarem.
Todos se levantaram de braços abertos para a acolher e a Sr.ª União, muito satisfeita, proferiu:
– Finalmente, a Cidade dos Valores ficou completa! A verdadeira liberdade é aquela que é vivida com consciência, uma vez que a concretização da nossa liberdade nunca pode prejudicar a liberdade dos outros. Por isso, aqui aplica-se a máxima “Não devemos fazer aos outros, o que não queremos que nos façam a nós”.
Todos concordaram e, a partir desse dia, houve PAZ, ALEGRIA, HARMONIA, RESPEITO, AMOR, AMIZADE, RESPONSABILIDADE, e conheceu-se a verdadeira LIBERDADE… na Cidade dos Valores.

 João Miguel Ramos, 8º A

Uma viagem ao mundo dos gnomos



Era uma vez um gnomo…
  Um ser que acreditamos fazer parte da imaginação dos outros, mas que a história nos diz que fez parte dela e que já justificou a realidade, pois na altura toda a realidade era justificada por coisas divinas.
  Um dia, li num pequeno livro, tão pequeno, que cabia na mão de uma criança, a história de uns pequenos seres mágicos, imaginados em tempos por poetas, chamados gnomos. Estes pequenos seres habitam nas grutas no interior da terra, têm estatura muito pequena, são bonitos, bem proporcionados e só fazem o bem.
   Assim, quando adormeci, momento que desejava arduamente que não chegasse, dei por mim a caminhar numa pequena e linda vila, onde as casas tinham forma de cogumelos, à volta da qual avistávamos uma floresta. Enquanto caminhava e observava a arquitectura desta curiosa vila, deparei-me com dois irmãos, o Jim e a Marisol. E como nós, as crianças, fazemos amigos depressa, começámos logo a conversar e fomos conhecer a vila. No final da visita, eu estava feliz por ter visto uma vila com casas em forma de cogumelo, onde só víamos cores quentes e flores e onde tudo parecia que combinava e tinha sido desenhado por um pintor. 
    Antes de nos separarmos, perguntei-lhes se podíamos visitar a floresta, que circundava a vila e que quebrava a sua cor dourada com o verde. Eles disseram-me que não, pois havia uma lenda, que falava da existência de um gnomo solitário e tristonho, que habitava nas grutas de água da floresta, cheio de poderes mágicos, que impossibilitava a saída de quem se atrevia a perturbar o seu mundo.
   Decidi arriscar, pois a leitura do meu livro sobre gnomos fez-me pensar que eles estavam a exagerar. Com um pouco de receio, abri o portão, que rangeu (“Talvez pelo pouco uso!”, pensei). Comecei a andar, até que encontrei um verdadeiro cogumelo com porta e janelas, como se se tratasse de uma verdadeira casa. Ao observá-lo com cuidado, vi que ali apenas podia viver um ser muito pequeno, talvez um gnomo.
   
           Bati à porta e veio atender-me um miúdo tão pequeno, que não parecia maior do que o meu polegar. Era loiro, de olhos azuis, com uma cara sorridente e marota, mas, ao mesmo tempo, se o observássemos melhor, víamos no seu rosto a cara de um pai responsável e amigo ou mesmo de um anjo pensativo.

   Ele convidou-me a entrar para conversarmos. Entrei, e perguntei-lhe se era o gnomo da lenda. Ele respondeu que sim, mas que a lenda estava errada, pois fazia dele um ser mau. Na verdade todos os que tinham entrado na floresta tinham lá ficado por vontade própria. Foram o seu APEGO, a sua TERNURA e a sua CONFIANÇA ilimitada que fizeram com que todos ficassem. Tinham escolhido a sua companhia, pois no seu mundo a natureza era respeitada por todos, já que manter o equilíbrio da natureza e defender o homem sem que ele soubesse, eram os seus deveres. Entristecia-o que, fora desta floresta, os gnomos já não conseguissem manter o equilíbrio da natureza, nem os direitos de todos os seus elementos, pois o homem sobrepunha-se a tudo e todos.   

  A nossa conversa fez-me pensar nas vezes em que faço tanto lixo, desperdiço tanto papel, e penso apenas no que preciso e quero…no meu erro em não pensar no que é bom para o ar, para a água, para a terra, para isto e para aquilo. Ao estar com os meus pensamentos, ao pensar no desrespeito que vejo por tudo o que não grita, na falta que faz termos medo dos seres mágicos que defendem o ar, a terra e as águas, acordei e pensei:

- Que pena não ter conhecido melhor o meu novo amigo, nem me despedi dele…
Nem consegui plantar a semente da AMIZADE,
Para mais tarde reflectir e sentir SAUDADE.
Sentimento discreto e constante,
Que até levou os gregos a criar uma divindade…
Francisca Sá, 8ºA

A estrela da Paz

Há muitos, muitos anos, o Sistema Solar era governado pelas estrelas. Era constituído pela estrela mor - a Paz -, por uma quantidade considerável de estrelas com nomes de valores, e pelos planetas que eram os responsáveis pela vida das estrelas. Quando existia paz, a Paz aumentava o seu tamanho, quando os planetas estavam em guerra, a Paz diminuía. E era assim que a Paz continuava a viver, numa vida tão longa que quase já perfazia dez mil anos.
 Um dia, uma nova estrela nasceu. Era pequena, mas brilhante, muito brilhante, o que significava que nada igual tinha existido até então. Ninguém tinha dado muita importância a este fenómeno, mas, no dia seguinte, algo de errado aconteceu. A Paz começara a diminuir, o que nunca antes se tinha verificado.
Espalhou-se, então, o ódio pelos planetas e todos os habitantes do sistema, a pouco e pouco, começaram a sentir-se superiores uns aos outros. Então, a guerra instalou-se com o objectivo de se destruírem.
Os anos foram passando e ninguém sentiu a falta da Paz, a não ser as estrelas boas (solidariedade, amizade, etc.) que diminuíam. Tinham sido formadas a partir da estrela rainha. À nova estrela deram o nome de Ódio, porque crescia significativamente desde que o Mal fora instalado. As estrelas chamavam Mal àquele que espalhasse o desentendimento entre a sua povoação. As estrelas tentavam reunir as suas forças para restaurar a Paz, que continuava a diminuir de dia para dia. Afinal, qual era a importância da Paz? A Paz não só mantinha a harmonia, como era a estrela que podia controlar a vida no sistema. Se ela desaparecesse e/ou fosse substituída, a vida desapareceria e as estrelas também.
Passados muitos anos, uma pequena povoação do leste do planeta Darkar observou que a Paz estava mais pequena desde que a tinham visto dez anos antes. Esta povoação sabia que as estrelas, por muito longe que estivessem, sofriam as consequências dos planetas. Então, para não deixar de existir vida em Darkar, peregrinaram por todo o seu planeta, contando a História da Paz.
No final de dois longos anos, Darkar converteu-se totalmente à Paz. O seu lema passou a ser “Juntos pela estrela da Paz”, com o fim de que todos os planetas partilhassem o mesmo lema, o seu.
Nesse mesmo dia, um milagre aconteceu. A Paz, juntamente com um grupo de estrelas, aumentou o seu tamanho! Voltou a haver esperança e o Ódio diminuiu. O planeta Darkar prosseguiu a sua missão e foi rumo a outros planetas. Sempre que podia, voltava à povoação do leste, que fora considerada capital mundial de Darkar, para ver a sua adorada estrela, a Paz.
Os anos foram passando e dez dos doze planetas do sistema adoptaram o lema “Juntos pela estrela da Paz”. Era muito bom que mais de metade dos planetas estivessem convertidos, mas o problema é que os dois que restavam eram os maiores planetas e os que estavam mais perto do Ódio. E isso era muito mau, porque quem lá fosse tornar-se-ia malvado e quereria que todos os restantes planetas se tornassem seus escravos. Para os povos dos vários planetas, era impossível converter esses dois planetas, o que provocou o desânimo entre os que “lutavam” pela Paz.
Mas, para resolver este problema, as estrelas intervieram. Unidas, conseguiram dominar o Ódio, a tal ponto, que ele desapareceu, levando o Mal consigo. Foi a vitória das estrelas e a Paz voltou a reinar como outrora!

     Maria Inês Cardia, 6ºA  

O meu tesouro

  Era uma vez uma árvore que vivia à beira de um caminho. Por lá passavam todas as pessoas. Este era o caminho da vida!
 A essa árvore, poucas pessoas viam, muitas não a queriam ver e outras, então, nem sequer sabiam que ela estava ali, no seu caminho.
Um passarinho, que fazia ninho nos seus ramos, interrogou a árvore:
 - Tu és a minha casa há já algum tempo, certo? E vejo, como tu, todas as pessoas que por aqui passam. Tu até és bonita, digo eu, as tuas folhas são transparentes e muitas vezes brilhas como a luz. Então, diz-me: Por que razão estas pessoas, parecendo não te ver, não param para te olhar? São poucas aquelas que o fazem para contemplar o teu valor e o teu brilho. E porquê, árvore?
  A árvore escutou com atenção as perguntas do passarinho chamado Barnabé e, no final, soltando um pequeno sorriso, exclamou:
  - Ó Barnabé, tu dizes isso, porque não sabes o meu nome, apesar de viveres comigo desde sempre!
  Já um pouco impaciente, o Barnabé interrogou novamente a árvore:
 - Então? Satisfazes a minha curiosidade ou não?
 - Não tenhas pressa! – disse a árvore – Eu não fujo. Apesar de muitos me quererem esconder, estou sempre aqui. Faço- me ouvir, quando menos se espera, apareço sempre, mais cedo ou mais tarde.
 - Ó árvore, que discurso é esse? Estou cada vez mais curioso! - exclamou o Barnabé.
  - Está bem, Barnabé! Até tu já estás sem paciência para me ouvir. – suspirou a Árvore.
 - Eu sou a verdade! Por causa do meu brilho, como tu dizes, por vezes, sou difícil de encarar. Muitas vezes magoo quem me ouve, e faço sofrer quando estou triste. É por isso que muitos passam e não querem olhar para mim! Mas também te digo que contribuo para a felicidade de muitos, esses sim, gostam de mim e, apesar de tudo, não conseguem viver sem este valor tão importante que é a verdade! Faço parte da vida deles, e é através de mim que encontram a sua razão de viver. Cuidam de mim como se eu fosse um tesouro!
   Admirado com a revelação, Barnabé, o passarinho, sussurrou em voz suave:
   - Então, tu és «o meu tesouro»!
Beatriz Carneiro, 9º F

Coragem

Norte de África, 1941
23h:51min

Querido Jack:

Mais um dia neste inferno de areia, já lá vão 2 meses que tentamos sobrevier. Os Afrika Korps de Rommel não nos têm dado descanso. Todos os dias perdemos alguém com quem simpatizamos ou de quem gostamos. Hoje morreu o meu melhor amigo numa ofensiva, quando tentávamos tomar uma pequena vila, pois estávamos a ficar sem água e sem combustível para os nossos carros blindados.
A vila estava fortemente protegida pelos boches, foi por isso que demorámos 2 dias a tomá-la. Essa foi a razão pela qual não te pude escrever mais cedo. Apesar de termos sofrido pesadas baixas, a tomada da vila foi um êxito, uma vez que conseguimos obter 2500L de gasolina, 5000L de água, muitos mantimentos, vários carros armados, uma grande quantidade de armas e munições e ainda fizemos 17 prisioneiros.
Mas neste dia de ferozes combates nem tudo foi mau, querido diário, pois, devido à minha coragem, fui promovido a Capitão. Eu explico-te o que aconteceu… 
Eu e a minha companhia tentámos tomar a praça principal, mas as bolsas de resistência eram muito fortes e estávamos a sofrer muitas baixas. Foi então que decidimos dinamitar o edifício principal da praça (a maioria dos alemães estava concentrada aí), mas o único problema é que estávamos debaixo de intenso fogo inimigo. Nesse momento aterrador, o soldado William, aquele de quem eu te falei há uma semana atrás, disse que se sacrificava para fazer explodir o edifício. Começámos a preparar as bombas e coordenámos os temporizadores em 10min. Se tudo corresse bem (o que seria muito improvável), dava para atirar os explosivos para dento do edifício, correr para junto dos nossos “irmãos de armas” e ver o “fogo-de-artifício”. Mas nem tudo correu como planeado. O William foi atingido no braço e na perna esquerda, mas conseguiu rastejar até um pequeno muro que ali se encontrava. Tudo parecia perdido, ninguém se queria sacrificar para salvar o pobre coitado que, ou morria esvaído em sangue ou morria com a sua própria bomba.
            Como estávamos a ficar sem tempo, eu ofereci-me para ir salvar o soldado atingido e, se pudesse, atirar o explosivo para dentro do edifício principal. Tinha que fazer o que tinha que ser feito. E assim sucedeu. Corri o mais depressa que pude, peguei no engenho e atirei-o para a janela do rés-do-chão. Pus o William aos meus ombros e corri, corri, corri, tudo me parecia em câmara lenta ……. e boom!!! A onda de choque da explosão foi tão forte que nos atirou para o chão. Mas, felizmente, o William continuava vivo e finalmente a salvo!

Quando, ainda no chão, olhei para trás, vi o edifício em chamas e ouvi os meus companheiros a correr na nossa direcção. Senti que tinha sido atingido no braço esquerdo, mas, estranhamente, naquela altura, não me doeu…
O nosso objectivo tinha sido alcançado e foi um contributo importantíssimo para a nossa vitória na conquista da vila.
Mais tarde, no acampamento, os médicos tiraram-me os estilhaços do braço e disseram que não era nada de importante, a ferida sararia dentro de 3 ou 4 dias.
Entretanto, entrou um General na minha tenda e disse-me que, em virtude da coragem por mim demonstrada, seria promovido a Capitão o que me deixou muito feliz.
E por hoje é tudo, já são horas de ir para a tenda.
Amanhã vamos dirigir-nos para a Líbia.
O teu Cpt. Price


Luís Sousa, 9º F




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Imaginação não falta aos nossos alunos do 5º ano...

Se eu fosse um objecto, seria...

 um pincel


Se eu fosse um objecto, seria um pincel, com o meu longo e entrançado cabelo loiro.
Estava eu no meu quarto, a pintar um quadro.
Chovia, trovejava e as portadas abanavam todas.
De repente, veio uma ventania que abriu a janela e me levou a mim e à tela para o exterior, para o frio. Eu nem tinha levado casaco!
Abri os olhos, meio atordoado, e reparei que estava numa praia deserta, com a tela a meu lado, sem nenhum estrago. Continuei a pintá-la à sombra de uma palmeira cheia de tons de verde e de castanho.
Vi que as conchas, os búzios… estavam a caminhar para mim. Fiquei estupefacto ao ver que eles eram como eu, moviam-se!
Uma concha perguntou-me:
-O que é que tu és? Como é que te chamas?
-Eu sou um pincel. Chamo-me Manel e sou um pintor – respondi.
-Ah… Eu sou a concha Loncha, ele é o búzio Lúcio e estes são os nossos amigos! – disse ela.
-Estás a pintar um quadro muito bonito! – disse um búzio.
-Muito obrigado. – agradeci eu.
Eles conversaram entre eles e disseram:
-Compramos-te o quadro.
-A sério!? – exclamei.
-Sim, compramos-te o quadro por vinte conchas e ainda te oferecemos tinta! – afirmaram eles.
-Que fixe! Obrigado! – agradeci, entusiasmado.
Conversámos com o polvo e ele disse que misturar-se-ia com os corais e com as algas e que iria fazer muiiiiiitttaas tintas.
-Assim, vou poder fazer um quadro desta praia. Ora bem: azul para o céu e para o mar, amarelo para a areia, verde para as palmeiras…
-Ok, já percebemos que vais utilizar muitas cores, mas agora temos uma surpresa para ti. – referiram.
Os meus olhos nem acreditavam no que viam. Eles organizaram uma festa, que durou dia e noite, e o melhor é que eu era o rei da festa!
Arranjei muitos amigos, e com esta excitação toda até mandaram construir um museu no fundo do oceano, cheio de rochas e de cor. Estava muito bonito!
Casei com uma estrela-do-mar e tive muitos, muitos filhotes.


Maria João, 5ºC




 UMA LATA DE COCA-COLA LIGHT


Se eu fosse um objecto, seria uma lata de Coca-cola light. Sim, light, porque eu gosto de estar sempre em forma! Teria três grandes amigos: a lata de Fanta, a lata de Seven Up e a lata de Ice Tea. Viveríamos fresquinhas e juntinhas no frigorífico do bar do Colégio dos Carvalhos. Até que, certo dia, quatro meninos nos comprariam para matar a sua sede.
Assim que terminassem de saborear as suas bebidas, os meninos deitar-nos-iam ao chão sem qualquer preocupação de nos colocarem no ecoponto. Após sermos amassadas por rodas de carros e levarmos muitos pontapés, um dia, muito mais tarde, acordaríamos deste grande horror. Estaríamos numa fantástica loja de bicicletas na Alemanha e perceberíamos que tínhamos ­sido recicladas, fazendo então parte de uma linda bicicleta.
Essa bicicleta seria comprada por um emigrante Italiano que a iria oferecer à sua filha. Assim, faríamos outra pessoa feliz, só com um simples gesto: reciclar!
Reciclar é muito importante, podendo assim dar uma vida nova aos objectos!




                                                                                                               João Filipe Pereira, 5ºC

  UMA BORRACHA


            Se eu fosse um objecto, seria uma borracha e esta  seria a minha história…
            Eu vivia num estojo abandonado dentro de um baú velho que existia no sótão, na casa de um menino chamado Tiago.
            Ora numa noite de trovoada, o pai do Tiago esqueceu-se de fechar a janela do sótão com a pressa de ir jantar e, quando estava a dormir, um trovão atingiu-me.
            No dia seguinte, acordei de manhã e, ao ver os objectos com os olhos fechados, perguntei-lhes:
            - O que se passa, não está assim tanto sol?
            - Pois és mesmo tu, o teu corpo está a brilhar muito! - disse a estante.
            De repente, vi o lápis a chegar, dirigindo-se aos objectos:
            -Trouxe óculos de sol para todos! Com a borracha a brilhar tanto, temos que nos proteger.
            - E nada melhor que uns óculos de sol mais modernos! - exclamou o livro.
            Quando me aproximei do Gaspar, o livro, reparei que todos os sítios por onde eu passava ficavam sem cor.
             No outro dia de manhã, a mãe do Tiago disse à D. Ana, a empregada, para ir dar uma limpadela ao sótão. Ao chegar lá, a D. Ana gritou:
            - AHHHHHHHHHHHHHH!!!!
             O Tiago subiu as escadas a correr  para ver o que se passava e, quando lá chegou, perguntou:
            - O que se passa?
            -Olha, está tudo descolorido...- afirmou a D. Ana.
            -Deixe estar, eu descubro o culpado.- sossegou o Tiago
         Depois de muitas voltas e de longos minutos, o Tiago apercebeu-se que uma coisa brilhava muito, aproximou-se e descobriu que era eu a detentora de tal brilho.
          Pegou em mim, impressionado com o meu brilho e, como não tinha nenhuma borracha, guardou-me dentro da mochila da escola.
            No dia seguinte, na escola, junto dos amigos de Tiago, fiz um “brilharete” com o meu brilho surpreendente.
             O Tiago, após muito pensar, descobriu que eu podia ser utilizada para apagar  as coisas erradas que existem no Mundo.
             Durante uma semana diverti-me imenso com o Tiago e os seus amigos, apagámos a inveja, a maldade, a hipocrisia, entre outros.
             No entanto, após sete dias, a trovoada voltou e eu voltei a ser uma borracha normal, mas com grandes e boas recordações e reparei que o meu amigo tinha adquirido a capacidade de reescrever palavras como Solidariedade e Amizade,  e ia ele, também, viver grandes aventuras.


                                                                                                                            Ana Rita Faria, 5º C